sexta-feira, 15 de maio de 2009

Referências - Mercado Público da Rocinha - RJ - AAA Azevedo Arquitetos Associados

O programa de construção de Mercados Populares foi idealizado pela Prefeitura do Rio com o objetivo de criar espaços organizados e padronizados para o funcionamento adequado do comércio de ambulantes. A infra-estrutura é composta por banheiros, instalações elétricas, hidráulicas e telefonia, iluminação, áreas de circulação e de convivência, boxes, além de depósitos e setores administrativos. Os mercados populares oferecem condições dignas de trabalho aos ambulantes e recupera os espaços das calçadas para os pedestres.

O projeto de Rodrigo Azevedo deu forma ao Mercado Popular da Rocinha, no principal ponto de concentração de ambulantes , na entrada de uma das mais conhecidas favelas do Rio de Janeiro.

As atividades comerciais foram organizadas sob o abrigo de uma cobertura única , executada com lona tensionada . Desse material, o autor extraiu a leveza plástica da obra e solucionou questões técnicas, como o escoamento de águas pluviais.

Quando o arquiteto apresentou à prefeitura , em 2003, proposta para reestruturar os mercados populares e camelódromos da cidade, tinha como embasamento prático o projeto de urbanismo, arquitetura e restauro do Mercado Ver-o-Peso , em Belém, implantado por uma equipe liderada pelo arquiteto Flávio de Oliveira Ferreira, da qual ele fizera parte.

A experiência também permitira a Azevedo estruturar o programa Preservação e Qualificação de Feiras e Mercados Populares , responsável pela constituição de uma fundamentação teórica.

Como já existia, na cidade, o projeto de lei da criação do mercado, com o objetivo de organizar o comércio informal concentrado na entrada da favela da Rocinha, Azevedo foi contratado para dar a forma arquitetônica a ele.

O terreno para implantação da proposta era o mesmo já ocupado pelos ambulantes: uma calçada de cerca de 150 metros de extensão , com largura variável de seis a 20 metros, por onde transitam diariamente cerca de 50 mil pessoas . De um lado do local há um ponto de ônibus e peruas de lotação; do outro, uma subestação de energia e um templo.

A solução desenvolvida por Azevedo organizou as atividades sob cobertura única, buscando fluidez , permeabilidade visual e, sobretudo, leveza . Esse elemento tem forma plasticamente forte e de fácil leitura por usuários e transeuntes.

Além de se preocupar, como prioridade, com o escoamento das águas pluviais, que não poderiam ser despejadas diretamente na rua nem nos terrenos vizinhos, o projeto enfrentou a questão da escolha de um material que não aquecesse o espaço interno nem o escurecesse durante o dia.
A escolha recaiu sobre a lona tensionada , também utilizada no projeto de Belém. "Sua plasticidade e características técnicas resolveram as principais questões", afirma Azevedo. No projeto, a tensoestrutura está apoiada em pilares metálicos , ancorados, por sua vez, em estrutura de concreto armado com fundação em estacas do tipo raiz.



A captação das águas pluviais ocorre através de implúvios centrais no interior dos postes principais das lonas e segue pela rede de drenagem no subsolo.
Um volume construído em alvenaria centraliza sanitários, administração e casa de máquinas - a climatizacão artificial é feita por aspersores. Os 166 vendedores do mercado ocupam módulos de estrutura metálica, onde comercializam roupas, produtos eletrônicos, bebidas e sucos.

O Mercado Popular da Rocinha, cuja implantação teve custo de 1,2 milhão de reais , funciona 24 horas por dia e tornou-se referência urbana.
"Os mercados populares são um dos elementos mais interessantes da cultura nacional", avalia Azevedo. Para o arquiteto, além de abastecer a população com alimentos, utensílios, ervas, vestuário etc., esses locais são centros agregadores de pessoas, difusores da cultura popular e desempenham função econômica relevante na economia local.
"Eles são responsáveis pela renda de uma seqüência de pessoas, desde produtores, artesãos e pequenas fábricas até lixeiros, carregadores e feirantes. Ao mesmo tempo, constituem alternativa de consumo a preços normalmente inferiores aos do comércio formal", explica.


Comentário do arquiteto

Após desenvolvermos o projeto urbanistico, arquitetura e restauração para o novo Mercado Ver-o-Peso, na cidade de Belém do Pará (PA), estruturamos um programa social chamado "Preservação e Qualificação de Feiras e Mercados Populares". Este programa tem por objetivo, resignificar esta importante atividade, criando condições físicas e logisticas para sua afirmação e potencialização cultural e comercial.
O terreno destinado para abrigar o mercado era o mesmo onde antes se localizavam os ambulantes: uma calçada com largura variável de 6 à 20 metros e comprimento de l50 metros, por onde transitam cerca de 50 mil pessoas dia, alem de ponto de ônibus e vans de um lado a uma substação de energia e igreja evangélica de outro.
A solução adotada deveria organizar " sob um mesmo teto", todas estas atividades e elementos, permitindo fluidez, permeabilidade visual e, principalmente, leveza. .Entender o novo mercado como uma rua comercial coberta. Desta forma, deveríamos trabalhar com uma superfície única que encobrisse toda sua extensão, criando uma forma plasticamente forte e de fácil leitura e apreensão pelos usuários e transeuntes. Seu desenho deveria, primeiramente, resolver as águas da chuva, visto que não poderíamos escoar diretamente para rua nem tão pouco para os terrenos particulares,,isto e, o próprio mercado deveria absorver esta água. Segundo, o material a ser utilizado não poderia tomar espaço interno quente nem tampouco escurece-lo durante o dia. Assim não tivemos duvidas ao escolhermos a lona tensionada como melhor material para esse programa de usos. Sua plasticidade e características técnicas resolveram as principais questões impostas pela complexa realidade.
Para esta tenso-estrutura sem precedentes no Brasil, utilizamos uma super-estrutura em estrutura metálica galvanizada à fogo e estacas raiz para as fundações, articuladas com toda a sorte de infra estrutura urbana que passam no subsolo do terreno(cabos de alta tensão, telefonia, televisão a cabo, esgoto, águas pluviais, abastecimento de água). A captação das águas pluviais se dá através de impluvios centrais no interior dos postes principais da lona (mastros) e segue pela rede de drenagem no subsolo.
Um volume construído em alvenaria centraliza os sanitários, administração e casa de máquinas( climatização artificial através de aspersores). Os l66 vendedores estão distribuídos em mobiliários de estrutura metálica(boxes) vendendo desde roupas, eletrônicos a bebidas e sucos.
Atualmente o Mercado Popular da Rocinha funciona 24 horas e tornou-se uma referência urbana do local.

Arquiteto Rodrigo Azevedo


Bibliografia:

http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/aaa-azevedo-arquitetos-associados-mercado-popular-01-03-2009.html

http://www.tensobras.com.br/estrutura/projetos_detalhes.asp?id=36

http://obras.rio.rj.gov.br/index2.cfm?sqncl_publicacao=470

terça-feira, 12 de maio de 2009

Referências - Mercado de Santa Caterina - Barcelona - Enric Miralles

A proposta para a reabilitação do antigo mercado de Santa Caterina, situado no distrito de Ciutat Vella de Barcelona, implica em uma ação sobre o tecido urbanístico adjacente à estrutura existente que racionalizasse sua implantação.



A intervenção pretende “mesclar-se e confundir-se” com a estrutura original. Ambos propósitos se conseguem mediante a realização de uma nova cobertura, que envolve a estrutura e a estende além do perímetro da primeira construção.



A essência deste projeto se baseia no desenho de sua cobertura, a qual parte da metáfora de um imenso mar matizado pela recordação de frutas e verduras. São recuperados também elementos já empregados na Escola de Música de Hamburgo.



O projeto não tem um planta de uso interno, possivelmente porque deseja recuperar a estrutura dos velhos mercados populares, de forma que a cobertura representaria um grande toldo baixo que abrigaria os postos de venda, sem nenhuma organização predeterminada.

A obra é espetacular e cumpre um importante papel na recuperação urbanística de Ciutat Vella (projeto municipal no qual Miralles esteve ativamente envolvido). A cobertura se transforma na fachada mais importante do edifício, com o inconveniente de que só é visível visto de cima e, no momento, não está prevista a possibilidade de que exista um mirante que permita contemplá-la.


Bibliografia: http://bcnarq.blogspot.com/
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq048/arq048_01.asp